ABNT NBR 14039:2021 – Subestações de Transformação em Média Tensão

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As subestações de transformação em média tensão (MT) são fundamentais para levar energia elétrica com segurança e confiabilidade a indústrias, hospitais, edifícios comerciais e residenciais de grande porte.

De acordo com a ABNT NBR 14039:2021, consideram-se como média tensão os níveis acima de 1 kV e até 34,5 kV. Essa faixa atende justamente consumidores especiais que recebem energia em alta potência e necessitam reduzi-la para níveis compatíveis com os circuitos de baixa tensão.

A norma brasileira define prescrições de projeto, instalação, segurança e manutenção para garantir que esses ambientes, de alto risco elétrico, operem de forma adequada e sem comprometer a vida das pessoas ou a integridade das edificações.

Contexto: por que a NBR 14039 é tão importante?

Historicamente, o Brasil seguiu duas referências distintas:

  • ABNT NBR 5410 → instalações elétricas de baixa tensão (até 1.000 V em corrente alternada).
  • ABNT NBR 14039 → instalações elétricas de média tensão (de 1 kV a 36 kV).

A atualização de 2021 buscou alinhar as normas brasileiras às normas internacionais (IEC) e reforçar a segurança em ambientes urbanos e industriais, especialmente quanto ao uso de transformadores.

Enquanto a NBR 5410 trata de tomadas, quadros de distribuição e proteção em residências, a NBR 14039 é direcionada a subestações internas e externas que exigem critérios especiais de projeto.

Tipos de subestação

A norma reconhece diferentes formas de implantação de subestações de transformação:

  1. Subestação ao tempo (externa)
    • Instalada em área aberta, geralmente em pátios de indústrias ou empreendimentos rurais.
    • Pode utilizar transformadores a óleo, desde que haja contenção e afastamento de áreas ocupadas.
  2. Subestação abrigada (interna)
    • Instalada dentro de edificações.
    • Deve seguir requisitos rigorosos de segurança contra incêndio.
    • Somente permite transformadores a seco em edifícios industriais, comerciais ou residenciais.
  3. Subestação blindada (compacta)
    • Também conhecida como “subestação compacta”.
    • Equipamentos encapsulados em invólucros metálicos, reduzindo o risco de contato acidental.
    • Muito utilizada em áreas urbanas e prédios comerciais.

Transformadores: a óleo vs. a seco

Um dos pontos mais relevantes da NBR 14039 está na distinção entre transformadores a óleo e a seco.

➤ Transformadores a óleo

  • Usam óleo isolante e refrigerante.
  • Mais baratos e compactos.
  • Excelente capacidade de suportar sobrecargas.
  • Porém, apresentam risco de incêndio e contaminação ambiental.

➤ Transformadores a seco

  • Usam resinas ou ar como isolante.
  • Não inflamáveis, mais seguros para áreas internas.
  • Menor risco ambiental.
  • Custo inicial mais alto, mas exigem menos manutenção.

📌 A NBR 14039:2021 proíbe o uso de transformadores a óleo em subestações dentro de edifícios industriais, comerciais e residenciais.

Regras específicas da norma

🔹 Instalações industriais (Subseção 9.4.3)

  • Se a subestação for parte integrante da edificação industrial:
    • Apenas transformadores a seco podem ser usados.
    • Transformadores a óleo são proibidos.
    • Disjuntores com líquido isolante não inflamável só podem ter ≤ 1 L por polo.

🔹 Instalações residenciais e comerciais (Subseção 9.4.4)

  • Dentro de edifícios residenciais e comerciais:
    • Exclusivamente transformadores a seco.
    • Mesmo com paredes corta-fogo e compartimentos de alvenaria, a regra é absoluta.
    • Disjuntores com líquidos isolantes não inflamáveis limitados a ≤ 1 L por polo.

📌 Conclusão prática: em áreas internas, não se usa transformador a óleo em hipótese alguma.

Proteção contra calor e radiação térmica

Outro aspecto crítico abordado na norma é o controle da temperatura superficial dos equipamentos.

De acordo com a subseção 5.2.1, equipamentos e componentes devem ser instalados de modo a evitar:

  • Queimaduras em pessoas;
  • Falhas de funcionamento de componentes sensíveis;
  • Risco de combustão ou deterioração de materiais adjacentes.

🔒 Limites de temperatura – Tabela 1

Tipo de superfícieTemperatura máxima (°C)
Superfícies de controle manuais – metálicas55
Superfícies de controle manuais – não metálicas65
Superfícies tocadas em serviço normal – metálicas70
Superfícies tocadas em serviço normal – não metálicas80
Superfícies acessíveis mas não destinadas a toque – metálicas80
Superfícies acessíveis mas não destinadas a toque – não metálicas90

Essa tabela define, por exemplo, que um volante de manobra metálico não pode ultrapassar 55 °C, evitando queimaduras em operadores.

Sinalização e segurança operacional

A NBR 14039 exige que todos os equipamentos com carcaça sob tensão tenham placas de advertência visíveis.
Além disso:

  • Deve haver distâncias mínimas de segurança para manobra;
  • Portas e acessos precisam ter travas e chaves específicas;
  • Recomenda-se sinalização de risco de arco elétrico em ambientes de alta potência.

Impactos para projetistas e instaladores

  • Projetistas: devem prever espaços adequados para dissipação térmica, circulação de ar e segurança contra incêndio.
  • Instaladores: precisam respeitar rigorosamente os limites de temperatura e especificar apenas transformadores a seco em ambientes internos.
  • Consumidores: ganham mais segurança contra riscos de explosão, incêndio e choque elétrico.

Perspectiva de mercado

A exigência de transformadores a seco em áreas internas já é realidade em países da Europa e da América do Norte.
No Brasil, a NBR 14039:2021 reforça essa tendência, ampliando a adoção de soluções mais seguras e sustentáveis.

Isso impulsiona a demanda por transformadores a seco encapsulados em resina epóxi, tecnologia que cresce em aplicações urbanas, prédios comerciais e hospitais.

Conclusão

A ABNT NBR 14039:2021 representa um avanço decisivo para a segurança das subestações em média tensão.
As principais diretrizes são:

  • Transformadores a óleo proibidos em ambientes internos (industriais, comerciais ou residenciais).
  • Somente transformadores a seco dentro de edifícios.
  • Controle rigoroso de temperaturas superficiais para evitar queimaduras e incêndios.
  • Regras claras para sinalização, manobra e proteção térmica.

Essas mudanças refletem a busca por instalações mais seguras, sustentáveis e alinhadas a padrões internacionais.

Para engenheiros, eletricistas e gestores de energia, conhecer e aplicar a NBR 14039 é essencial para evitar riscos, proteger vidas e garantir a conformidade de projetos de média tensão.

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